Direto do Twitter

05/10/2009

Por que não investir em outras coisas?

Serão gastos R$ 26 bilhões nas Olimpíadas do Rio de Janeiro (tem gente que fala em R$ 28,8 bilhões, isso sem falar nos R$ 138 milhões que já foram gastos com campanha e no R$ 1 milhão que foi gasto para abrigar o comitê de postulação brasileiro na Dinamarca). É muito dinheiro. Dinheiro que não é investido em saúde, educação, segurança. Quem pagará essa quantia?

Desculpe, presidente Lula, mas enquanto saúde, educação e segurança não receberem investimentos substanciais que façam diferença na vida do cidadão brasileiro, que transformem o Brasil, R$ 26 bilhões pras Olimpíadas não é investimento, é gasto. Gasto desnecessário. Principalmente se lembrarmos que o Brasil não é um país preocupado realmente com o esporte, já que boa parte das maiores estrelas do país não tem patrocínio.

Novamente estamos atropelando o rumo da história. Como diria meu irmão, first things first.

A campanha de trânsito de POA

Essa campanha de trânsito que vem sendo promovida pela prefeitura de Porto Alegre é digna de aplausos. É uma campanha que já devia ter sido executada há muito tempo. É uma campanha semelhante à de Brasília, da época do governo do Cristóvão Buarque, que funcionou bem, embora já não tenha o mesmo poder que tinha.

Agora, em Porto Alegre não sito que vá funcionar tão bem assim. E o motivo é mais complexo do que parece. Não tem nada a ver com a consciência dos motoristas. O problema de Porto Alegre é a localização das faixas de segurança. Normalmente, elas ficam posicionadas nas esquinas da cidade. Ora, um carro que vem trafegando por uma rua e pretende dobrar à direita na rua seguinte não tem capacidade para visualizar com tranquilidade se há um pedestre pretendendo atravessar a rua na esquina. As faixas de segurança deveriam estar posicionadas mais para dentro das quadras, o que daria boa visibilidade para qualquer motorista, evitaria que o pedestre se visse obrigado a apertar o passo e não causaria acidentes com os automóveis que estivessem trafegando atrás do que está na frente vendo o pedestre.

Vamos nos preparar para muitos acidentes e atropelamentos…

22/09/2009

“O churrasco e os gaúchos” (atualizado)

Causou indignação o texto “O churrasco e os gaúchos”, publicado pela ZH na última sexta-feira. O fato é que o autor do texto tem muita razão ao fazer as afirmações que faz. Realmente, as churrascarias nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro costumam ser melhores que as do Rio Grande do Sul. Alguns dizem que são gaúchos os responsáveis por essas churrascarias fora do estado, inclusive utilizam nomes que remetem ao RS, como o próprio autor apontou.

Na realidade, os gaúchos se orgulham de muitas coisas sem o menor cabimento. Eu já disse e repito: só acredita que a Polar é a melhor cerveja do Brasil quem está bebendo pouco.

Mas não fujamos do churrasco: já cansei de pedir carne ao ponto e sempre recebo carne mal passada. Isso não ocorre em São Paulo e Rio de Janeiro, pelo menos não nas boas churrascarias. Na Schneider, na Braseiro ou em qualquer outra boa churrascaria de Porto Alegre, ou o garçom não entendeu meu pedido, ou o churrasqueiro é muito ruim, mesmo. Vai saber…

Agora, não entendi por que tamanha irritação do autor do texto, morador de São Borja. Não parece ser um problema só com o churrasco… Enfim.

Atualização: 23 de setembro de 2009, às 12:05

Aproveitando o ensejo, saiu uma entrevista na ZH com o cartunista Allan Sieber, que é gaúcho, mora no Rio há 10 anos e não poupa ninguém. Recomendo. Ah, sim, aqui e aqui.

17/06/2009

Qual jornalismo queremos?

Vamos ler juntos:

Divergências sobre a qualificação profissional

O pólo oposto na disputa em torno da exigência do diploma é bastante eclético. As empresas de comunicação, em sua quase totalidade, adotaram posição contrária à obrigatoriedade. Um dos maiores jornais do país, a Folha de São Paulo, inclusive, aceita alunos que estejam nos últimos semestres da graduação ou recém-formados em qualquer curso de nível superior em seu programa de treinamento em jornalismo diário. Na mesma trincheira, no entanto, se alinham também profissionais de outras áreas que trabalham no campo e mesmo jornalistas diplomados.

Um dos principais argumentos desse grupo bastante diversificado é o fato de não haver a exigência de obrigatoriedade do diploma em outros países, como Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido e França. Em contrapartida, nações como Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Síria, Tunísia e Ucrânia compartilham legislação semelhante à brasileira no assunto.

Quanto à questão da qualificação do profissional da área, os opositores do diploma afirmam que, embora realmente indispensável, tal capacitação não é dada exclusivamente pelos cursos de Jornalismo. Por isso, o argumento não sustentaria a obrigatoriedade em pauta. Vencedor de quatro prêmios Esso, o jornalista português Carlos Chaparro afirmou, no artigo “O diploma não pode ser o eixo da discussão”, que levando em conta as complexidades e liberdades do mundo atual e o que ele exige do jornalismo, o ingresso na profissão de jornalista deveria ser acessível a quaisquer cidadãos no pleno uso dos seus direitos, desde que provem ter formação superior concluída. “Precisariam, porém, passar por um período de estágio ou experiência probatória.”

Outra crítica feita à obrigatoriedade do diploma é que ela causou o surgimento de diversas instituições que se aproveitam da exigência para captar alunos e “vender” o diploma, fenômeno que tem efeito perverso sobre a qualidade do ensino. Para a diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes Oliveira, “se a exigência do diploma acabasse amanhã, os cursos de comunicação continuariam iguais. Os cursos que fazem a diferença dentro da formação desse profissional continuam formando profissionais de qualidade. O que muda e o que acaba são os cursos que realmente vendiam apenas o diploma”.

A matéria é mais longa, mas por esse trecho fico aqui pensando: queremos nos assimilar a Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido e França ou a Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Síria, Tunísia e Ucrânia?

O jornalista não vai sumir. O jornalista responsável pelo jornal vai continuar existindo. O que vai acontecer é que especialistas em determinadas áreas vão ter mais espaço no jornal. Afinal, não é melhor um economista falando de economia do que um jornalista que estudou economia durante apenas um semestre, se tanto? O mesmo vale pra artes, política, ciência, etc. É claro que o cara vai precisar se especializar de alguma forma pra escrever pra jornal… Mas parece que estamos avançando.

Esse texto aqui também ajuda a pensar no assunto.

29/05/2009

Uma proposta sobre a recente discussão acerca da leitura

Uma discussão que muito me interessa e sobre a qual procuro refletir com meus alunos na UFRGS é a forma como a leitura é trabalhada na escola. Escreveram recentemente sobre o tema Sergio Rodrigues (aqui e aqui), Carlos André Moreira (aqui, aqui e aqui — este último acertando em cheio na questão), o Alexandre Rodrigues (aqui e aqui), e a Gabriela Rassy, que detonou a discussão (aqui), analisando um lançamento sobre o assunto. Todos jornalistas, todos bons e ávidos leitores, os três primeiros com blogs que se dedicam quase exclusivamente a debater livros e literatura.

A preocupação de todos é a minha também: em resumo, como estimular a leitura na escola? No entanto, por ter trabalhado anos em colégios particulares dando aulas de Literatura (e para onde, provavelmente, voltarei em breve), por estar trabalhando num curso superior de Letras em que o assunto é pensado com frequência e, enfim, por ser professor, acredito que tenho uma proposta viável para atingir o êxito no desafio ou, pelo menos, uma visão um pouco diferente.

Em primeiro lugar, não é verdade que para estimular um jovem a se tornar leitor é fundamental que a família seja leitora. Os pais não precisam ler nada. O que precisam fazer é, simplesmente, possibilitar a seus filhos o acesso aos livros, seja levando o jovem a uma biblioteca, seja comprando os livros sugeridos pela escola ou outros do interesse do filho. Se um pai disser pro filho que nunca leu nenhum livro na vida e que nem por isso deixou de se dar bem profissionalmente aí, sim, estará matando um leitor.

Segundo e talvez o mais importante, uma verdade que ninguém percebe: o vestibular não precisa ser o termômetro pro ensino de Literatura na escola. Não estou dizendo que o professor pode solicitar outras leituras além das exigidas pelo vestibular. É claro que ele pode e consegue fazer isso, se quiser. Ao longo de três anos (pensando no Ensino Médio, época em que a Literatura é trabalhada de forma mais sistematizada), é possível incluir na lista de leituras obras que não aparecem no vestibular, como de autores estrangeiros (sempre trabalhei Voltaire, Sófocles, Shakespeare, entre outros) ou de jovens autores (quando trabalhei com meus alunos Mãos de Cavalo, do Daniel Galera, um deles chegou a dizer que aquele havia sido o melhor livro que um professor tinha solicitado que eles lessem). Autores assim não atrapalham a leitura das obras exigidas pelo vestibular. Pelo contrário, até ajudam, afinal, como entender a irracionalidade de Bentinho ao lembrar de Otelo sem ter lido o clássico de Shakespeare?

Agora, há um elemento na prova de Literatura da maioria dos vestibulares que os professores normalmente não percebem, muito menos os jornalistas, sem querer ofender ninguém aqui. Para constatar isso, basta pegar uma prova da UFRGS (vou usá-la como exemplo porque é com ela que tenho mais intimidade, embora seja fácil perceber que ocorre da mesma forma em outros vestibulares). Pra quem não sabe, o programa da prova de Literatura do vestibular da UFRGS contempla os principais autores da cronologia da História da Literatura Brasileira, além de quatro autores portugueses, e também apresenta uma lista de 12 leituras obrigatórias, leituras que certamente aparecerão na prova e que abrangem, normalmente, 50% das 25 questões da prova. Ou seja, essa lista é um presente para o candidato, já que ele sabe que aquelas leituras serão cobradas, enquanto o resto das questões é um mistério.

Diante disso, alguma questão cobra as características de qualquer autor ou período literário? Não! Ok, às vezes aparecem questões em que o candidato precisa saber apenas o nome de alguns livros de um determinado autor, mas isso é raro e não chega a ser grave. Questões assim servem para eliminar aqueles candidatos que estão disputando os cursos mais concorridos. Alguém pode argumentar que isso exige uma decoreba por parte do candidato. Por um lado, é verdade. Por outro, mesmo sem ter lido Memórias Póstumas de Brás Cubas, é importante que o candidato saiba que se trata de uma obra fundamental de Machado de Assis.

A maioria das questões do vestibular da UFRGS, porém, apresenta um poema ou um excerto de poema, ou um trecho de um conto, novela, romance ou crônica, e exige do candidato que demonstre compreensão do que está ali apresentado nas afirmações que devem ser identificadas como corretas e incorretas nas alternativas apresentadas. Não é necessária a leitura da obra completa para que o candidato consiga responder a questão, porque ela está perguntando o que está descrito naquele trecho, só naquele trecho. É claro que se o candidato leu a obra cobrada na questão, provavelmente terá mais facilidade para respondê-la, mas mesmo questões que envolvem leituras obrigatórias são frequentemente apresentadas do jeito que descrevi no início deste parágrafo e é por isso que escuto muito que às vezes basta ler um resumo da leitura para responder a questão. Na realidade, às vezes nem o resumo é necessário.

O problema do ensino de Literatura é semelhante ao da Língua Portuguesa. Os professores de Língua obrigam seus alunos a compreender funções sintáticas, normalmente a partir da 7ª série do Ensino Fundamental, mas elas não são cobradas na prova de Língua Portuguesa da UFRGS. Por que então exigir do aluno que ele saiba identificar a diferença entre um adjunto nominal e um complemento nominal se isso não aparece no vestibular e se nem os gramáticos conseguem chegar a um consenso sobre o tema?

A Literatura, assim como a gramática da Língua Portuguesa, é ensinada de maneira matemática, como se tivesse lógica. Os alunos decoram a sequência dos períodos literários e suas respectivas características antes de ler a obra dos autores de cada período. Depois, são cobrados a identificar aquelas características nos textos. E, pior, ficam com a impressão de que termina um período e começa outro: como explicar que Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo são períodos coetâneos? Ou, pior ainda, como explicar que Machado de Assis é realista se o seu já citado Memórias Póstumas, que deu início ao Realismo no Brasil, é narrado por um morto? Ora, Machado de Assis não se via como um realista. Chegou, inclusive, a ironizar o Realismo várias vezes em alguns de seus textos críticos…

Então, é incorreta a pergunta “por que exigir leituras importantes que não atraem o interesse dos alunos?” A reflexão que deve ser feita é como trabalhar essas leituras. Elas não precisam ser substituídas. O que deveria ser feito é mais simples do que parece: ler, exclusivamente. O professor de Literatura deveria ser um professor de leituras, um orientador de discussões com base nas leituras por ele propostas. Sem discussão em cima do que é lido, o texto torna-se chato, e o aluno não compreende o que está lendo. A aula de Literatura deveria ser uma aula de leitura em conjunto. Assim, lendo e parando para refletir sobre o que foi lido, discutindo e iluminando o que foi lido, o texto só será visto como chato e incompreensível se o professor for incompetente.

E reitero que o professor deve, sim, indicar as leituras que devem ser cobradas, sim, em avaliação. Mas antes da realização desta, o debate é necessário e fundamental. Sobre esse tópico, discordo do Alexandre Rodrigues, que escreveu em um de seus posts:

“A professora foi bem honesta conosco: “São chatos, mas importantes” [os livros por ela sugeridos]. Ela, porém, tinha mais um truque: a cada livro chato lido, podíamos escolher um qualquer para ler e resenhar. Vinte mil léguas submarinas foi meu primeiro. Viagem ao centro da Terra, o segundo. O conde de Monte Cristo, o terceiro. A alternância funcionou. Uma turma quase inteira de leitores se formou assim. É o máximo onde a escola pode chegar.”

Nenhum professor de Literatura pode afirmar para seus alunos adolescentes que é chato o livro que está solicitando que eles leiam! Isso é absurdo! Ok, o professor pode até dizer que tem restrições, que identifica alguns defeitos, que considera outros livros mais importantes ou interessantes, mas dizer que são chatos não condiz com a condição de um professor de Literatura numa escola. E que um professor experimente, hoje, dar essa liberdade da leitura livre a seus alunos: eles só lerão Paulo Coelho, J. K. Rowling, Dan Brown e outras bobagens que aparecem na lista de mais vendidos da Veja (não que eu ache a Rowling uma bobagem, afinal ela está muito distante do Brown e do Paulo Coelho, mas tem coisa melhor). Duvido que um aluno, atualmente, pegasse os livros citados pelo Alexandre de livre e espontânea vontade.

E isso que sua professora fazia não “é o máximo onde a escola pode chegar”. Para realmente estimular a leitura e formar leitores, a escola precisa rever seus programas curriculares e apoiar uma transformação na forma de se trabalhar a leitura. Quanto mais se lê, mais fácil fica interpretar qualquer questão de vestibular, inclusive das provas de exatas. Não se instiga o gosto pela Literatura com base nos períodos literários ou em características dos autores desses períodos. Por isso, ler com o aluno é a tarefa que deveria ser executada por qualquer professor no Ensino Médio. E assim qualquer aluno vai acabar apreciando Vinte mil léguas submarinas, Viagem ao centro da Terra e O conde de Monte Cristo. E qualquer professor poderá trabalhar obras que, de outra forma, seriam censuradas. Seriam, não: algumas estão sendo, como os poemas do Joca Reiners Terron na coletânea Poesia do Dia, da Ática (como apontou o CA), ou as Aventuras Provisórias, do Cristovão Tezza (ok, talvez isso não seja censura, mas um sinal claro de que está errado o ensino de Literatura praticado nas escolas Brasil afora).

Se o aluno quiser estudar mais Literatura, ele vai acabar cursando Letras e aí, sim, vai estudar a cronologia, a História da Literatura, a teoria e a crítica literárias. Mas qual deveria ser o objetivo da escola: formar leitores ou especialistas em História da Literatura? Demonstrar por que Machado de Assis é tão bom ou fazer os alunos decorarem que não fica claro que Capitu traiu Bentinho?

Ok?! Ok.

13/05/2009

Twittering

Ok, me rendi ao Twitter. Confesso que ainda estou aprendendo a lidar com a coisa, mas começo a achar bacana a possibilidade de ler rapidamente posts de pessoas de que gosto ou admiro, ainda mais num lugar só, sem precisar ficar clicando milhares de vezes em milhões de links. E o Twitter fica ainda mais bacana com o twhirl ou com o plugin TwitterFox, para Firefox.

06/05/2009

Quem quer sair da ilha?

Até o final da quarta temporada de Lost, a série parecia muito realista. Acho que foi isso que atraiu a atenção de tanta gente mundo afora. Os mistérios foram sendo criados, alguns foram revelados, mas nenhum parecia um absurdo total (exceto talvez pelo monstro, conhecido como Lostzilla).

Atualmente na 5ª temporada, Lost parece ter entrado em conflito com o realismo. E, para quem acreditava que tudo tinha uma explicação clara, essa diminuição do realismo afeta o interesse pela série. Eu sou fã de Lost, mas começo perder o interesse que tinha, especialmente, até o final da terceira temporada. Isso graças a esse excesso de novidades sem lógica. Afinal, ressurreição, viagens no tempo, deslocamento geográfico para sair da ilha e para movê-la são elementos que não fazem muito sentido.

Ok, tenho que reconhecer, até porque sou professor de Literatura e lido com narrativas ficcionais todo dia, que sempre que tomamos contato com uma narrativa (um filme, um conto, um romance, uma telenovela, um poema épico, uma peça de teatro, etc), precisamos aceitar que o que está sendo contado tem a sua verossimilhança. Em outras palavras, precisamos aceitar que o mundo ficcional que nos está sendo apresentado é um mundo possível, ou que ali são possíveis fatos que não aconteceriam no mundo real, no mundo em que vivemos. De outra forma, ninguém leria a Odisséia ou Harry Potter (para ir de um extremo a outro).

O problema do realismo com relação a Lost é que estamos diante de uma série (ou seriado, como queiram) de longa duração, com um total de seis temporadas previstas, cada uma com cerca de 24 episódios, cada um com uma hora de duração — exceto pela quarta temporada, que teve apenas quatorze episódios em função da greve dos roteiristas. (Alguém aí pode argumentar que uma telenovela da Globo totaliza um número muito maior de capítulos do que Lost atingirá no final da série. Mas telenovelas são gravadas diariamente para serem exibidas diariamente e não costumam ter um enredo tão complexo e inteligente como uma série produzida nos Estados Unidos, seja ela uma sitcom ou uma série dramática, como Lost.) Ao acompanhar as três primeiras temporadas, que foram quase totalmente verossímeis — portanto, ao longo de três anos –, é natural que a diminuição do realismo na quarta temporada, que se radicalizou na quinta, afete o interesse do espectador. Acho que se tivesse ficado claro, desde o primeiro episódio, que Lost não era uma série realista, eu não estaria tão incomodado…